Tudo começou naquele pênalti

Foto: Jefferson Guarezzi – Estadão Conteúdo

O Grêmio inicia a disputa a Recopa Sul-Americana na noite desta quarta-feira. E só terá direito a jogar esta decisão por ter vencido a Copa Libertadores, em 2017. Libertadores, que só participou por ter vencido a Copa do Brasil, em 2016. E a conquista nacional, que quebrou um jejum de 15 anos, parece ter sido tranquila para quem lembra apenas das fases semifinal e final, onde o Tricolor massacrou os mineiros fora de casa e só só confirmou os resultados na Arena.

Mas o caminho até lá, embora curto, foi difícil. Nas quartas de final, a classificação frente ao Palmeiras veio nos minutos finais, fora de casa, com gol de Éverton. Porém, a dramaticidade maior ocorreu na fase anterior, contra o Atlético Paranaense, na Arena.

Era a estreia de Renato na casamata. E o resultado do jogo de ida – 1 a 0 pra nós – parecia irreversível. Mas um gol incrível perdido por Henrique Almeida e uma falha não menos inesperada de Marcelo Grohe mandaram aquela decisão para as penalidades.

O Grêmio parecia não querer a classificação. Após cada erro do rival – foram três consecutivos -, vinha outro chute pífio do nosso time. Eis que entramos na fase de cobranças ‘alternadas’. Marcelo Oliveira e Marcos Guilherme marcaram. Eis que Kannemann isola.

Silêncio na Arena, os 15 anos assombravam nossa nova casa.

Juninho se posicionava para a cobrança que tiraria a chance de título do Grêmio e adiaria, em pelo menos mais um ano, a agonia da torcida. Se aquela bola fosse às redes, talvez Renato sequer continuasse para 2017. Kanneman, certamente, seria duramente criticado e, quem sabe, fosse embora mais cedo. Estaria tudo errado na gestão Romildo Bolzan.

Mas, Juninho não cobrou. Weverton tirou a bola de suas mãos e tomou para si a responsabilidade.

Não havia sequer um torcedor sentado na cadeira. Todos estavam de pé. Eu, inclusive, me direcionei a uma das saídas do quarto anel da Arena. Assim como eu, vários deixaram suas posições e se encaminhavam para fora do estádio, silenciosos, desesperançosos. Outros nem viram o que aconteceu. Taparam os olhos ou ficaram de costas para o gramado.

Weverton bateu forte, no canto. Gol? Não. A mão milagrosa de Grohe estava lá para salvar o Grêmio e levá-lo a outro patamar.

E eu tenho certeza que você lembra muito mais deste pênalti defendido por Marcelo Grohe do que aqueles que vieram depois.

Eu te ajudo: Guilherme fez e Paulo André mandou na trave para delírio da torcida.

Depois, como dizem por aí, o resto é história…

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